Vote na Ponta de Sagres para as “7 Maravilhas Naturais de Portugal”!

Ajude-nos a eleger a Ponta de Sagres para uma das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, cuja votação está decorrer até ao próximo dia 7 de Setembro.

A votação pode ser feita por Internet, (http://www.7maravilhas.sapo.pt/#/pt/votacao) por telefone através do número (760302714) ou por SMS para o número (68933714).
A Ponta de Sagres é uma das 21 finalistas na eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, projecto criado pela “New 7 Wonders Portugal” no âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade e que tem como objectivo sensibilizar a população em geral para a necessidade de preservar o legado deixada às futuras gerações. Pretende-se assim, eleger os sete monumentos naturais do nosso país, que possuam um ou mais aspectos de raridade ou representativos em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais, sob o mote “Se queremos proteger alguma coisa, em primeiro lugar, temos que saber apreciá-la”.
Os 21 concorrentes foram escolhidos por 21 profissionais de várias áreas, como o jornalismo, o ambiente e a arte. Recorde-se que no início de Janeiro foram apresentadas 323 candidaturas, tendo, posteriormente, a organização convidado um painel de 77 especialistas, representantes das várias áreas cientificas e com representatividade geografica nacional, para eleger as 77 pré-finalistas. Posteriormente um painel de 21 personalidades notáveis do nosso país escolheu as 21 Maravilhas finalistas, as quais foram apresentadas para votação pública a 7 de Março de 2010. O anúncio dos vencedores terá lugar na Lagoa das Sete Cidades, em S. Miguel, nos Açores, a 11 de Setembro de 2010.
A Ponta de Sagres destaca-se pela extraordinária paisagem, misticismo e imponência, reunindo ainda um conjunto de singularidades biológicas únicas em Portugal e Europa. Banhada pelas agitadas águas atlânticas, alojam-se interessantes cavernas, belíssimas praias, coroadas por uma vegetação rasteira ímpar, povoada de mitos, de lendas, de histórias sagradas e profanas.
É neste lugar sacro que, ainda hoje, podemos observar um pôr-do-sol admirável onde se ergue a, não menos mítica, Fortaleza que foi o local de passagem do ilustre Infante D. Henrique.

 

 

 

Curiosidades “naturais” sobre a Ponta de Sagres

Avifauna
A Península de Sagres reúne um conjunto de singularidades biológicas únicas em Portugal e Europa. A sua importância está espelhada nos vários estatutos de protecção que apresenta nomeadamente Parque Natural, Zona Especial de Protecção para Aves e Sítio de Interesse Comunitário para a Conservação (Rede Natura 2000), entre outros.
Ao nível da avifauna, esta zona constitui o principal corredor migratório de aves de rapina no nosso País anualmente visitada por mais de 5000 aves, de mais de 20 diferentes espécies. Entre elas destacam-se algumas bastante raras e ameaçadas, como seja a Águia-imperial (Aquila adalberti), a Águia-real (Aquila Chrysaetus) o Abutre-do-egipto (Neophron percnopterus), o Milhafre-real (Milvus milvus) ou a Águia-pesqueira (Pandion haliaetus). Entre as mais abundantes destacam-se a Águia-calçada (Aquila pennata), Águia-cobreira (Circaetus gallicus) ou o Grifo (Gyps fulvus).
A zona costeira é ainda, palco de ocorrência de especial diversidade ornitológica. As arribas são a área de nidificação privilegiada da Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) consideradas em perigo em Portugal e que encontra nesta zona, possivelmente, a principal população nacional. Alem desta, destaque ainda para o Falcão-peregrino (Falco peregrinus) ou o Corvo-marinho-de-crista (Phalacrocorax aristotelis), ambos nidificantes nas escarpas costeiras. Por fim, e não menos importante, esta península, dada a sua posição geográfica é ainda uma local importante de passagem de aves marinhas, com destaque para o Fura-bucho (Puffinus mauritanicus), espécie criticamente ameaçada a nível mundial.

Flora
O clima é do tipo Mediterrâneo seco embora com grande envolvência atlântica o que muito influencia a flora.
Esta região contem o maior número de espécies de plantas reconhecidas como prioritárias para a conservação, das quais fazem parte espécies como o Tojo-de-sagres (Ulex erinaceus) a Diplotaxis vicentina e a Biscutella vicentina cujos nomes atestam a sua distribuição restrita a esta zona do pais, contendo várias espécies de beleza impar como a Orquídea-Genária (Gennaria diphylla), espécies que enchem o ar matinal com o seu perfume como o Tomilho-do-mar (Thymus camphoratus) e de extrema raridade como a Silene rothmaleri que até 2004 se julgava extinta e que foi reencontrada no Cabo de S. Vicente onde ainda reside a ultima população desta espécie, entre muitos outros tesouros floristicos que convidam à sua descoberta e reconhecimento.

Geologia
Em termos de sítios geológicos com interesse científico, didáctico e geoturistico, é um dos mais importantes do Algarve e mesmo do País.
Praia do Telheiro
Nas arribas da parte Norte da praia do Telheiro está magnificamente exposta a grande discordância angular que separa os terrenos da Cadeia Varisca, aqui representados pelos xistos e grauvaques (turbiditos) da Formação da Brejeira (310 milhões de anos), dos arenitos vermelhos da unidade regional conhecida por Grés de Silves. Os xistos e grauvaques formaram-se em ambientes marinhos profundos e apresentam-se dobrados, com dobras verticais que foram geradas durante a formação da Cadeia Varisca. Em discordância sobre eles repousam aas bancadas horizontais dos Grés de Silves (215 milhões de anos) que sublimam a existencia de sedimentação fluvial em clima árido e que marcam o inicio do desenvolvimento da bacia sedimentar do Algarve. De notar o hiato de tempo geológico entre as rochas da formação da Brejeira e as dos Grés de Silves da ordem dos 95 milhões de anos, que corresponde em que a Cadeia Varisca se elevou e foi erodida pelos agentes da geodinâmica externa.
Nota: as unidades geológicas que resumidamente foram descritas são únicas no contexto da geologia da Península Ibérica e são uma peça fundamental para a reconstrução da Cadeia Varisca Europeia durante a Era Paleozóica (590-250 milhões de anos).

Praia da Mareta
Nas arribas da praia da Mareta é possível observar uma das secções geológicas mais completas e interessantes do período Jurássico (210-140 milhões de anos) do Algarve. Na parte central da praia junto á zona concessionada durante o Verão, é possível observar a parte superior de um antigo recife de corais com cerca 180 milhões de anos. O recife exibe uma forma montículada e cujo topo apresenta pequenas cavidade verticais, resultante de antigos fenómenos de carsificação. Sobre o antigo recife de coral encontram-se uma espessa sucessão, com cerca de 120m de espessura, de rochas sedimentares calcárias e margosas cuja idade vai diminuindo progressivamente para Este. Próximo do topo da arriba na parte oriental da praia observa-se a discordância entre as rochas do Jurássico Médio e Jurássico Superior (160 milhões de anos). Salienta-se que esta discordância corresponde a uma período de instabilidade geológica que afectou toda a Península Ibérica e que aqui é possível observar em excelentes condições.
Para além destas características, as rochas sedimentares da praia da Mareta são ricas em fósseis de amonites, belemnites, braquiópodes, bivalves e excelente pistas de animais do tipo Zoophycos. Na base das arribas da parte oriental da praia observam-se dobramentos muito complexos que afectam calcários margosos. Estes resultaram do escorregamento dos sedimentos por acção da gravidade, ao longo de uma superfície inclinada e são conhecidas por dobras de slumps.
Para informações mais detalhadas, os interessados poderão consultar o site www.7maravilhas.pt.